quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Desníveis...

 Passaporte.
Mudei o ângulo, as linhas das minhas construções, a dimensão da sua área, e integrei-a nos meus objectivos.
Como ave migratória, majestosa e imponente desloco o meu espírito. Fujo de tudo o que é gélido, facilmente errante e me desconcerta a noção do real. Procuro o aconchego de um futuro algo saudosista.
Sim, um futuro consumido a dois, que me traz já a sensação de vazio, um vazio estilhaçado aos meus pés. Quero ocupar cada etapa, quero amar, quero cair, ganhar, perder… Talvez seja ânsia. É o nome que comummente lhe atribuem, este desejo de antecipar o ainda desconhecido. Ah, mas eu não tenho mais medo, quero-o para mim, que venha então… 

“ Leve,
             breve,
                           suave “ … 




terça-feira, 23 de novembro de 2010

Letras Discretas...


Acomodo-me ao aconchego da noite que vem com mais um fim de tarde, uma tarde em que pude descansar nos teus braços.
O cansaço e a fadiga dos dias que passam vigorosamente por mim sem eu sequer dar conta abraçam-me contigo. Suportas o meu peso e sinto a tua respiração no meu cabelo, a tua mão a passar-me pelo corpo carinhosamente. Empatia mútua. És marinheiro no meu barco de dois tripulantes apenas, navego contigo e emaranho-me na aventura que nos trará um novo amanhecer, este, mais leve e renascido, que me acenderá uma nova chama que irá arder e me fará incessantemente encontrar coragem e querer prosseguir viagem.
 

 



quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Carácter



Só preciso do teu abraço que me envolva, e a tua respiração que me desperte os sentidos que mantenho quietos.
Subindo bem devagar as escadas do meu caminho revejo-me na figura daquela em que me tornei, mulher que peca por algum capricho, insegura de tanta coisa e tão segura de tudo, lacrimeja facilmente e por razões que não passam pela compreensão da própria razão. Mulher terna e perspicaz, coração mole de matéria natural.
Este é o espelho do que sou. Alma, construção complexa de materiais reciclados.

domingo, 17 de outubro de 2010

Linhas vazias...



Soltem-me raízes de saudades amargas, de reflexões incongruentes, de coragem e testemunhos de bravidão.
Deixem-me a falar sobre o vazio, estas linhas meias vagas, em que nada parece ter sentido, que não dizendo nada, dizem tanto do que sou. Envolvam-me ventos de bonança, de reviravoltas e certezas nada efémures, levem-me convosco e façam com que o meu corpo, pesado, se torne peso leve tal qual a brisa que me sustenta e que com um suspiro se vê deambulante, desorientada e fria…

sábado, 9 de outubro de 2010

Mundos Paralelos


 Excita-me toda esta selva em que vivemos, todos estes corropios e esgotamentos que quase nos levam ao limite. Excita-me parar e olhar estes que passam à minha volta e a história que contam só com expressões mudas e desorientadas que lembram alguém acabado de sair de uma diversão de feira popular.
Sim, sou mais uma voyeur de um habitat que nos é comum e com determinada índole que se distingue dos modelos ditos actuais que em nós cada vez mais teimam fixar.
E bem ao jeito do grande Cesário Verde, sinto cada vez mais e mais esta propensão para descrever as diferenças entre estes mundos distintos. Um que cada vez vem sendo mais incomum, e que vai sobrevivendo à custa daqueles que teimam em não mudar as suas raízes.

sábado, 2 de outubro de 2010

Palcos...


 Desatas as pontas da incógnita, da surpresa, de cada dia que nos pertence. Claramente vislumbro toda esta encenação de mais um palco que fixaste na minha vida. Agrada-me a peça e o actor, sinto-me tentada a fazer parte dela e dou-te a mão. Tu e eu, sozinhos no palco, sem qualquer guião e totalmente ao improviso, tentamos recrear o que ainda não ousei experimentar.
Formamos uma combinação agridoce se me permites tal metáfora. Encaramos cada desafio que nos é posto à prova, e somos aprovados com distinção. Sofremos ambos de uma cumplicidade que nos é mútua e recíproca, e eu, e tu, personagens de palco e de vida selamos a cena final com um beijo.
O publico fantasma, mudo e quieto aplaude de pé.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Perspectivas


A instabilidade demarca-me. Demarca cada linha, cada traço que desorientada me vai percorrendo e penetrando mais e mais. Eu sinto e deixo-me consumir não abrindo caminho a novas sensações, excitações, corropios de adrenalina, e isto, e aquilo, um pouco mais disto e mais um golo daquilo que me daria gozo tomar. Fixo-me nesta ideia e deixo o medo de arriscar comandar-me totalmente, possuir-me e tomar conta de mim, e eu, propositadamente impotente vagueio-me queixosa de uma maleita que vê a cura bem de perto…

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Introspecção...




 Há um momento na vida chamado sempre.
Este dissipa-se na minha realidade quando à minha volta vejo as tuas portas  fecharem-se para mim. A distância aumenta e quebram-se laços. Vivo tempos de crise, e profunda nostalgia. Deambulo por aqui e por ali, estando entregue aos meus pensamentos.
E agora vem o derradeiro momento. Chamam-lhe introspecção.
Ponho o coração à venda e trato de seleccionar o melhor comprador, tento fechar um capítulo e iniciar de novo uma história começando por “ era uma vez …“ e por fim “  viveram felizes para sempre “...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Força maior...


Quis adormecer na minha vontade o silêncio. Embalou-me como que uma simples folha levada pela força da corrente de toda e qualquer orquestra de gotas de água caindo quase que magistralmente no abismo. Aquelas que ousam romper este silêncio a que forçosamente me rendi . Nunca antes havia sido assim, e porquê contrariar?
Não espero que me entendas, quando nem eu mesma por desleixo o exijo de mim.
Algo mais se esconde por detrás das letras que aqui componho.
Este “ ser “ que me sufoca, e acorrenta, que lidera qualquer nobre batalha…
Chamo-lhe segredo.

( foi composto para ti M. Duarte C. )

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Mais conhecida por " Sociedade "...



Itinerários traçados, e vou vivendo. Um dia por aqui, outro dia por ali, pouco me importa.
Vagueio-(me)  como ave migratória sem pouso, como pedaço de papel  ao sabor do vento.
É excitante a adrenalina que me corre nas veias.
Paro um momento.
Perco-me no som dos ponteiros e busco no silêncio a arma que me torne raposa em parte incerta, algures fora das linhas por mim impostas.
Não presto atenção ao mundo que passa por mim e pelo qual insisto em não me fazer acompanhar. Fecho os olhos, tapo os ouvidos, e rendo-me ao silêncio.
Numa selva de Hienas, aprendi a lidar com o perigo.

sábado, 21 de agosto de 2010

Arquitectura dos sonhos...



Tenho nas mãos o poder necessário para mudar o mundo, o Meu mundo.
Foge-me por entre os dedos a coragem para o remodelar, traçar as malhas de uma arquitectura perfeita.
Resultado: um telhado com falhas, uma porta disforme, e janelas gastas pelo tempo.
Vamos construí-lo juntos, escolheremos  um terreno estrategicamente planeado, e a mais agradável vertente soalheira.
 Fugiremos de todas as vertentes úmbreas, e passaremos a coexistir juntos, numa casa de telhado sem falhas, uma porta uniforme, e janelas  nunca antes  abertas…

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Percepções...


- Quero… Sentar-me lá fora e ver a lua iluminar-te o rosto, debruçar-me no teu peito e sentir-te a cada batida, essa que me eleva a um grau de euforia tal que me contenho para não duvidar da veracidade de cada minuto que estou a passar.
- Desejo…Que te tornes meu apenas mais esta noite, marcar-te como cicatriz que te trará à memória todas as horas que realmente valeram a pena juntos.
- Anseio…Reviver cada traço teu, desenhar-te em linhas meio fuscas que ocultarão o teu repentino desaparecimento deste canto que aqui dentro guardei apenas para ti.
- Preciso Sobretudo… Que te mantenhas presença assídua perante os meus olhos, para assim ter a oportunidade de refazer cada linha que tracei no início do meu desenho…

sábado, 14 de agosto de 2010

Fácil...



Tenho o coração apertado de novo.
Questiono-me: diferente, eu? Claro que estou diferente, há um ano que não me vias e embora digas que o tempo não me transformou e fez evoluir como pessoa, então mentes. Encostas-te à verdade que te tentam impingir, aquela que é a mais fácil de aceitar. Tudo isto porquê? Porque preferes acreditar nela? Claro que sim. Não há nada que consiga ver mais claramente neste momento. Engraçado como consegues perceber que estou na mesma e me consegues  deixar em baixo dizendo que as pessoas evoluem e que não sou uma delas…
Estás cá há dois dias. Que é feito dos nossos risos, da nossa cumplicidade e felicidade mútua?
Talvez não seja eu que estou diferente, mas sim duas pessoas que me eram tanto e que agora me dizem tão pouco.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sem Norte...


O meu coração bate a cem à hora… Os nossos olhares cruzaram-se há pouco nas escadas do centro comercial. Não desviámos o olhar um do outro, e por momentos acreditei que eras o Homem da minha vida.
Escorregaste e caíste para trás aos pés dos teus amigos… Ri-me para ti e tu esboçaste um sorriso que me contagiou e sinto que nos ligámos apenas por entre os risos e olhares cúmplices. As escadas iam subindo e foste-te afastando de mim, deu-me vontade de correr para os teus braços e te abraçar. Sei com toda a certeza que irias corresponder.
Não o fiz.
Vejo-te a dizer-me adeus já no andar de cima e faço o mesmo.
Um último sorriso e perco-te de vista.
Estou arrependida, deveria ter corrido para ti! Não me sais da cabeça e tenho o coração aos saltos.
Não sei nada de ti para além de seres escuteiro.
Não vou desistir de te voltar a encontrar, e quando esse dia chegar, vou correr, e vou apertar-te com toda a força nos meus braços,

Meu estranho desastrado…

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sonhos...



Os meus sonhos são como quaisquer outros.
Meras estirpes de desejo deambulantes por entre os corredores da minha imaginação. Acorrentam-se à minha vontade e quebram quaisquer estilhaços de razão perdidos neste chão que me sustenta.
Percorrem cada linha meia apagada e ofuscam cada memória inquietante. Aceleram e abrandam a viagem ilusória da noite que se quer tornar dia. Conferem-me o desejo da felicidade permanente. Essa que me soa ao mais translúcido mito.
Os meus sonhos são como quaisquer outros.
Meras estirpes de desejo deambulantes por entre os corredores da minha imaginação.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Gratidão apenas...

Obrigada à Isadora do blog " Conversas de Jardim " (http://conversas-far-out.blogspot.com/2010/07/muito-obrigada.html ) pelo selo que me enviou, visitem porque vale mesmo a pena. É fresco e divertidíssimo :)









O que me aquece o coração?

- Saber que eu sou eu mesma, sou eu própria, na minha mais perfeita imperfeição e não vou mudar.


- Saber que apesar de tudo ainda é possível amar alguém de verdade.


- Saber que se identificam com o que escrevo e que partilham o mesmo reboliço de sentimentos que eu...



E chega a altura em que tenho que passar o selo...
10 blogues que vou escolher:

"Another Soul " - http://another-soul-out-in-the-open.blogspot.com/
Pela sua simpatia :)

" Estava a ver que não " - http://estavaverquenao.blogspot.com/
Pela revelação que foi :)

" Palavras Perdidas " - http://carolina-palavrasperdidas.blogspot.com/
Porque me faz crer que amar alguém é muito mais que dizer apenas " amo-te " :)

" Everybody has secrets " - http://hipocrisiafeliz.blogspot.com/
Porque me revejo na sua mais inteira cumplicidade :)

" Momentos " - http://momentos22.blogspot.com/
Porque a beleza das grandes coisas está nos mais pequenos e simples gestos :)

" Passado, mas nunca esquecido " - http://passadomasnuncaesquecido.blogspot.com/
Porque as grandes palavras não se constroem  mecanicamente :)

" Um sentimento perdido " - http://placedopaulo.blogspot.com/
Porque a sua enigmática escrita se molda aos contornos da minha imaginação :)

" Sol da minha Lua " - http://ritacfrancisco.blogspot.com/
Porque os verdadeiros sentimentos poderão não nos corresponder mas são sinónimo de uma qualquer outra conquista :)

" Colours " - http://colours-of-life-92.blogspot.com/
Porque me coloriu cada bocadinho da alma :)

"SUOR DE UM ROSTO " - http://suordeumrosto.blogspot.com/
Pela imensidão e grandiosidade das suas palavras dignas do mais puro engenho e arte

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Turbilhão de nada...

Ainda ecoam em mim o som dos teus passos.
 Sentada no rochedo a preguiça toma-se-me conta e a brisa envolve-me os cabelos.
Respiro.
Nem o mais ínfimo pedaço de mágoa se encontra suficientemente ao meu alcance. Felizmente este não me satisfaz o hábito, o vício a que estava habituada.
Substia-mos apenas um do outro.
O vício levou-o o mar emaranhando-se nas cruéis correntes e ensurdecedoras marés. Já fora do meu alcance senti-o morrer.
Abraço os risos das almas que perto de mim se encontram e devoro-os, consumo-os e por fim deleito-me, recosto-me e saboreio-os. Batida a batida esta violenta respiração diminui.
E por fim um tropeço de paz.
Ligações abstractas estas. O mais translúcido eu.

Pézinhos na areia


Desculpem esta minha ausência repentina deste espaço.
Estive a desfrutar de umas merecidas férias e não tive tempo de avisar.
Um beijinho

sábado, 26 de junho de 2010

Para vocês ( resistentes ) que me seguem...




 Vocês são os meus mais fiéis confidentes, cruzam as malhas da minha insegurança com a vossa simpatia e embalam-me abrindo os braços e acolhendo-me nesse grande abrigo.
São como que o meu diário conselheiro, onde transformo a minha vida em simples palavras neste caderno sem linhas.
Vêm alimentando em mim esta vontade de escrever sem qualquer acanhamento, e dando-me a segurança necessária para que estes meus pensamentos voem e aqui pousem.
Aconselham-me e sobretudo são sinceros nas palavras que preenchem este meu canto.
Não, não acredito que seja por pura obrigação, ou simpatia até, arrisco dizer.
E tendo vocês também muitas ideias para organizar, chegam a perceber mais de mim que este meu EU desorientado.
 EU, única detentora deste corpo. E se tenho saído vencedora destes múltiplos jogos constantes da vida, devo-o em grande parte a vocês...

Por isso queridos seguidores, deixem-me tratar-vos por amigos. Seria a maior das minhas vitórias.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Bon voyage...


E quando a luz me ofusca e as raízes da tristeza me invadem e esturpem de mim as lágrimas de um passado que me marcou, tu apareces.
Vieste e resgataste-me, quebrando a corrente que me mantinha ligada aquele amante deliciosamente obscuro e inconscientemente hipnotizador das minhas vontades.
Obra de um acaso, talvez pré-determinado assim que viemos a habitar este mundo. Fomo-nos descobrindo, e fui soltando aos poucos os dedos desta corda temporal.
Somos rio e marés, somos climas e frentes oclusas, somos tanto em tão frágil tempo…
Talvez um dia possas vir habitar o agora desértico caminho que leva ao meu igualmente frágil órgão.
Sem atalhos, sem facilidades, não leias sequer as regras!


Desejo-te apenas boa viagem.


Tens um extenso caminho por percorrer …

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pureza...





Podia tentar descrever o que sinto com palavras e construções bonitas. Não quero.

Hoje encontro-me particularmente sensível.
Foi mais uma tarde em que por detrás de risos e desabafos percebi mais uma vez o valor das verdadeiras amizades.
Quero partilhar de novo os dias cheios de aulas com vocês, as nossas horas de almoço em que mais do que uma força nos unia e estes nossos laços se fortaleciam.
 Mais que uma família.
Tenho saudades e este sentimento persegue-me.
A vida, esta esfera em que nela somos os condenados, passa-nos a correr por entre os dedos. Crescemos, amadurecemos , fizemo-nos Homens e Mulheres. Temos quase findo um ciclo e em breve iniciaremos outro, seguiremos caminhos distintos e um ano passa a correr…
Se passa…
Amizades que fiz e que transcendem aquilo que apenas o mais oco coração de pedra nunca iria compreender…